A mentoria de startups nasceu no Vale do Silício


Robert Janssen
Presidente da Assespro-RJ
16 de Agosto de 2023 16:26
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A mentoria de startups no Vale do Silício tem uma história longa e orgânica que evoluiu junto com o crescimento da indústria de tecnologia na região. A prática da mentoria surgiu como uma resposta natural ao ambiente único de inovação, colaboração e tomada de riscos que caracterizou o Vale do Silício desde seus primeiros dias. Cabe destacar que além dos atributos locais do ambiente do Vale, um componente cultural presente em toda sociedade americana, e que deriva da época dos peregrinos, é o mindset do “give back”, ou seja, devolver de alguma forma para a sociedade o que foi recebido para sua própria prosperidade.


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Quando a OBr.global passou a ser também uma aceleradora de startups em 2013, aprendeu-se rapidamente o valor que a mentoria tem para uma aceleração empresarial, pois ajuda na construção do mapa cartográfico de quais caminhos seguir e quais obstáculos evitar. Isso faz com que 5 anos de erros/acertos virem 5 meses. Assim, investiu-se em uma formação que ajudasse executivos e profissionais darem um revestimento prático aos seus conhecimentos e se tornar um mentor para startup através do programa MentorRanks Startup.


Dando como exemplo a história do Vale, a partir da década de 1950, um grupo de engenheiros conhecido como “Traitorous Eight” deixou o Shockley Semiconductor Laboratory (fundado por William Shockley, Prêmio Nobel) para abrirem sua própria empresa, a Fairchild Semiconductor. Esse movimento não apenas deu origem a uma das empresas pioneiras de semicondutores, e que mais tarde veio a ser a Intel, mas também estabeleceu-se um precedente para o empreendedorismo e a transferência de talentos e ideias de empresas estabelecidas para startups. Vale destacar aqui que a legislação do estado da Califórnia não permite a celebração de um acordo de não concorrência, portanto, qualquer um poderia “atravessar a rua” e desenvolver algo igual ou parecido.


Outro grande destaque no desenvolvimento da mentoria para startups foi a Universidade de Stanford, que desempenhou um papel significativo na formação da cultura de orientação. Os membros do corpo docente e pesquisadores de Stanford se envolveram ativamente com empresas locais, compartilhando conhecimento e experiência. O foco da universidade em empreendedorismo e transferência de tecnologia também contribuiu para a integração entre academia e indústria, outro fator extremamente importante para a consolidação de um ecossistema colaborativo.


E foi essa cultura de colaboração e compartilhamento de conhecimento do Vale do Silício que engenheiros e cientistas do mundo todo levavam o seu conhecimento e labuta para as empresas de semicondutores e eletrônicos da época, e por força da guerra fria, era importante poderem compartilhar informações, ideias e conhecimentos, desenvolvendo assim uma cultura de inovação aberta.


Continuando na linha de tempo, nas décadas de 1960 e 1970, empresas de capital de risco como Kleiner Perkins e Sequoia Capital, além de proverem financiamento que os bancos da época não podiam, ofereciam também orientação e direção estratégica para startups. Os próprios VCs tinham experiências e conexões profundas no setor, o que os tornava mentores valiosos.


À medida que a indústria de tecnologia cresceu, redes e relacionamentos informais se formaram entre empreendedores, engenheiros e investidores. Essas redes facilitaram a troca de ideias, conselhos e apoio, contribuindo para a cultura do mentoring. Muitos empreendedores de sucesso no Vale do Silício se tornaram “empreendedores em série”, fundando várias empresas ao longo de suas carreiras. E esses indivíduos trouxeram sua experiência, conhecimento e redes para seus novos empreendimentos, muitas vezes servindo como mentores para fundadores mais jovens.


A partir dos anos 2000, o conceito de aceleradoras e incubadoras de startups ganhou força, e programas de aceleração como Y Combinator e Plug and Play também forneciam orientação estruturada, financiamento e recursos para startups em estágio inicial, formalizando e dimensionando o processo de orientação.


À medida que o ecossistema continuou a amadurecer, uma cultura de orientação tornou-se arraigada no Ethos do Vale do Silício. Empreendedores de sucesso, investidores e especialistas do setor reconheceram a importância de retribuir, orientando e apoiando a próxima geração de startups.


No geral, a cultura de mentoring no Vale do Silício surgiu de uma combinação de fatores, incluindo um espírito colaborativo, a influência universitária/academia, o sucesso dos primeiros pioneiros da tecnologia, o estabelecimento de empresas de capital de risco e a inclinação natural de indivíduos experientes para compartilhar seus conhecimentos. Essa cultura de orientação desempenhou um papel crucial no sucesso contínuo da região como um centro global de inovação e empreendedorismo.


Via: Blog da OBr.global

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